A doação de esperma é um dos métodos mais antigos de reprodução assistida. A primeira inseminação artificial humana documentada ocorreu em 1785 na Escócia. Contudo, só no século XX uma prática médica se tornou uma instituição regulada e eticamente refletida. Este artigo traa como a doação de esperma passou de um fenómeno marginal a um sistema complexo de direitos, obrigações e diretrizes éticas.

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As origens: experimentação e anonimato

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O banco de esperma como instituição

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O ponto de viragem: o direito da criança a conhecer as suas origens

A revolução ética decisiva não veio de médicos nem de legisladores, mas dos próprios afetados: adultos nascidos por doação que reivindicavam o seu direito a conhecer a sua origem genética.

Os resultados de investigação mostraram que conhecer a própria origem é central para o desenvolvimento da identidade, o bem-estar psicológico e a elaboração das dinâmicas familiares. Estudos suecos, australianos e britânicos demonstraram: as crianças informadas cedo sobre a sua história desenvolvem-se melhor do que as que o descobrem tarde ou nunca.

Em resposta, vários países europeus eliminaram a doação anónima. A Suécia abriu caminho em 1985. O Reino Unido seguiu em 2005. Portugal alterou progressivamente o seu quadro legal, garantindo o direito de acesso às origens.

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O que significa a doação de esperma ética hoje

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Para o dador

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Para os recetores

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Para a sociedade

A dimensão social da doação de esperma é frequentemente ignorada. Contudo, na era dos testes de ADN acessíveis por poucos euros, o anonimato já não pode ser garantido na prática. Uma criança que descobre o seu pai biológico através do AncestryDNA sofre um choque quando, ao mesmo tempo, descobre que a sua família lhe escondeu a verdade durante décadas.

A nível social, uma doação ética implica: regulação transparente, número limitado de descendentes por dador, obrigação de registo e o direito de todas as partes envolvidas à verdade.

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O panorama europeu: diferenças e pontos comuns

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O mais importante

A doação de esperma não é um ato anónimo nem um serviço médico neutro. É um ato humano com consequências para pelo menos três pessoas: o dador, a recetora e a criança. Agir eticamente significa levar todas a sério e tratar a verdade sobre a origem de uma vida como um direito fundamental, não como um ónus.

Na plataforma MAPASGEN

O Módulo 2 (Seleção de dadores e Genética) inclui um guia estruturado para a seleção de um dador de esperma, com listas de verificação éticas e informações sobre o número de meios-irmãos. Especialistas em medicina reprodutiva e conselheiros de ética verificados estão disponíveis na secção Partners.

Glossário

Crioconservação

a congelação de sémen (ou ovócitos, embriões) em azoto líquido para uso posterior. A qualidade depende da técnica e da amostra inicial.

Doação aberta (open-ID)

um esquema de doação em que o dador aceita revelar a sua identidade à criança quando esta atingir determinada idade (frequentemente 16 ou 18 anos).

Direito de acesso às origens

o direito legalmente reconhecido de uma criança nascida por doação a obter informações sobre a sua origem genética.

Sobredoação („over-donation“)

a prática pela qual um dador gera tantos filhos que origina problemas psicossociais (meios-irmãos desconhecidos) ou riscos genéticos elevados para a população.